Mentiras históricas contra o Ocidente – Olavo de Carvalho

“Procure o livro de Sylvain Gouguenheim, o livro chama-se Aristote au mont SaintMichel (Aristóteles no monte Saint-Michel). É um livro absolutamente espetacular, que mostra como toda esta ideia de que, após a chamada Idade das Trevas, a civilização europeia recuperou o conhecimento que ela tinha da Antiguidade filosófica graças às traduções árabes, isso é totalmente falso. Em primeiro lugar, a maior parte do que chegou já estava traduzida pelos monges do monte Saint-Michel. (…) Os monges de Saint-Michel já haviam traduzido tudo quando chegaram as traduções árabes. Segundo, a maior parte dessas traduções árabes não foram feitas por autores muçulmanos, mas por autores cristãos, porque metade do mundo árabe era cristão naquela época.

Então, o que a cristandade deve ao Islã em matéria de filosofia? Nada. Zero, zero, zero. Tudo isso aí foi propaganda. Aquela noção de que a História é a história dos vencedores é outra conversa mole, porque, em geral, quem usa da História são os perdedores: você conta a história à sua maneira para você conquistar a vitória futura, isso é sempre assim. Em geral, não é a história dos vencedores. Quem conta a história é o perdedor, porque ele perdeu no campo de batalha, mas ele pode ganhar na batalha das ideias. Aliás, isso acontece 3×4, você ficou em desvantagem militar e econômica, mas você pode corromper o seu inimigo intelectualmente e enfraquecê-lo.

Hoje em dia, ao longo de todo o séc. XX, a quase totalidade das batalhas culturais foi empreendida contra o Ocidente. Nunca houve uma batalha em sentido contrário. Os países ocidentais fizeram uma guerra cultural dentro dos países comunistas ou islâmicos para desmoralizá-los, enfraquecê-los? Não, nunca. Simplesmente nunca fizeram. No máximo, faziam de vez em quando uma emissãozinha na rádio Europa Livre, uma coisa assim, mas era um negócio muito tímido. No entanto, a batalha antiocidental foi uma coisa gigantesca e é ainda. O número de mitos e mentiras que isso aí meteu na nossa cabeça e que está ainda dentro da nossa cabeça, prejudicando-nos e enfraquecendo-nos, é uma coisa incrível!

Por exemplo, essa famosa ideia de que os africanos sempre foram os coitadinhos, escravizados, etc. Uma pinóia! Os africanos, junto das tropas islâmicas, chegaram à Europa já no séc. VIII-IX, escravizando milhões de pessoas. E foram ser escravizados, por sua vez, 700 anos depois. Quer dizer, a escravidão europeia que veio para a América foi apenas o troco que eles levaram. Então não tem por que ter dó. Essa história de que os negros são sempre os discriminados, coitadinhos. Não! Antes éramos nós os coitadinhos. Depois, veio a sua vez de apanhar. A vida é assim: um dia você bate, outro dia você apanha. Você não tem o monopólio da “coitadice”. Coitados são esses milhões de europeus que foram levados para ser escravos lá em Meca, em Medina, na Índia, etc., e que os historiadores se esqueceram deles, ninguém mais quis mexer nesse assunto, porque o outro lado atacou com veemência tal que você fica inibido de ofender a suscetibilidade. Mas olha, eu aqui ofendo suscetibilidade, quando é baseado na mentira, eu ofendo com a maior cara-de-pau. Escravo? Escravo uma pinóia! Vocês são os maiores escravagistas da história, vocês eram escravagistas oito séculos antes que os europeus se tornassem tais. Eles se tornaram imitando vocês, vocês ensinaram isso. A escravidão não existia mais na Europa, a escravidão tinha sido abolida na Europa. A situação mais baixa que tinha era a de servo da gleba, abaixo disso você não descia. Ninguém podia escravizar ninguém. Vocês foram e reintroduziram a escravidão lá, seus desgraçados! E depois, quando levaram o troco, começaram a ser escravizados, começa com choradeira: “Ah, nós somos coitadinhos…”. Ah, quê que isso? Vai lamber sabão! Se não fossem as invasões muçulmanas na Europa, jamais a Europa teria entrado no tráfico de escravos!”


Olavo de Carvalho – Curso Online de Filosofia: Aula 4, 18/04/2009.

Esta publicação foi feita a partir da transcrição da aula, disponibilizada no site do curso: seminariodefilosofia.org. A transcrição não foi revista ou corrigida pelo Olavo de Carvalho.


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