Não tome os traços astrológicos como coisas reais que estão pesando sobre a sua vida – Olavo de Carvalho

“As determinações astrológicas — que, pelo menos eu, só conheço como uma hipótese ainda muito mal descrita — só podem pesar sobre o ser humano como pesam todas as demais determinações, como as genéticas ou sociais etc., com a diferença de que, segundo a minha hipótese — note bem, eu não posso assegurar nada disso aí — esse fator astrológico não é propriamente uma limitação, mas um elemento extremamente misterioso, onde alguns dos traços estruturais constantes do indivíduo aparecem ali retratados na figura planetária no instante do seu nascimento, com uma nitidez muito impressionante.

Esse é um mero fato empírico que nós podemos verificar, porém nós não sabemos se existe uma “influência astrológica” ou se existe apenas uma correspondência estrutural entre as duas coisas, como no caso da ressonância mórfica (onde você não pode falar de influência). Quando Rupert Sheldrake diz: “aqui no laboratório tem um ratinho que descobriu a saída de um labirinto e, no mesmo instante, em um laboratório dez quilômetros adiante, um outro ratinho também descobriu a saída do labirinto”, um ratinho não influenciou o outro. Nós não sabemos se entre os astros e os homens existe aquilo que dizia São Tomás de Aquino: “tudo o que se move na Terra é movido por Deus através do astros”. Aí é uma causa, uma influência qualquer. Nós não sabemos se existe uma influência, se existe uma correspondência estrutural, se existe uma ressonância mórfica. A respeito dessa questão astrológica nós não sabemos é nada! Nada! Portanto, não tome os traços astrológicos como coisas reais que estão pesando sobre a sua vida. Tudo o que nós temos a respeito são hipóteses. O único fato que nós temos é aquilo que eu verifiquei na pesquisa que eu chamei de “Astrocaracterologia”: a existência de uma correspondência estrutural nítida entre certos elementos de caráter e a presença dos astros no céu. Como se deu essa correspondência? Qual é o tipo que relação que existe? — Nós não sabemos nada! Isso é um abismo de perguntas, e é um fato enormemente escandaloso, porque ninguém tem ainda os instrumentos para lidar com este problema.

Então as pessoas ou se escandalizam, ou criam um culto em torno dessas coisas, ou elas negam tudo, quer dizer, reagem como crianças em face do fenômeno. Tanto os astrólogos quanto os inimigos da astrologia não sabem o que fazer com este fato. Sem contar um outro fator que interfere: esta linguagem astrológica, estes elementos astrológicos, foram exaustivamente usados por sociedades secretas, sociedades ocultistas, com a finalidade de ter influência sobre os seres humanos e de regular a seu modo o curso da História — o Deus objetivo dos messiânicos nos quais eles acreditam. A quantidade de charlatanismo e mentira, de parte a parte, que existe nisso aí é monstruosa!

Eu recomendo que você não tome esse fator astrológico como uma coisa real que está pesando sobre você, porque nós sequer sabemos se ela é um fator em si ou se ela é apenas um indicador de outros fatores. A correspondência astrológica entre caráter e a posição dos astros é uma coisa nítida, fácil de provar empiricamente. O Michel Gauquelin já deu a prova cabal disso. Porém, nós não sabemos se existe um fator astrológico pesando sobre você, ou se o fator astrológico é como se fosse um indicador. Por exemplo, se você faz um eletrocardiograma, e lá mostra que você tem um problema, não é o eletrocardiograma que está lhe fazendo mal, ele é um indicador de um outro problema que não tem nada a ver com aquela máquina. Pode ser que a tal “influência astral” seja apenas isto, apenas um indicador de outras coisas — o fato é que nós não sabemos. Então não tomem este fato — “tem saturno na casa tal, e sol na casa tal” — como sendo um fator real que pesa sobre você. Nós não sabemos se é um fator real, um indicador ou qualquer outra coisa. A nossa ignorância sobre isso é imensurável. Quando nós não sabemos nem os rudimentos de como colocar um problema, nós tomamos posição a esmo, e tentamos nos defender da nossa própria ignorância através da proclamação afirmativa ou negativa de alguma coisa.

Todo o debate astrológico, para mim, é uma coleção de vexames. O sujeito proclama que tem um conhecimento secreto, e quando você vai ver, é uma besta quadrada. Outro proclama que nada daquilo existe, quando os fatos estão gritando o contrário. Ou seja, a prudência recomenda não tomar os fatores astrológicos como fatores reais, porque eles são apenas objetos de uma investigação possível.”


Olavo de Carvalho – Curso online de filosofia: aula 008, 23/05/2009.


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