O milenarismo – Olavo de Carvalho

“O milenarismo é a expectativa ou a esperança de um reino futuro, de paz, ordem e justiça a acontecer quando da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo ou, por exemplo, da perspectiva islâmica, quando da vinda do Mahdi. Mahdi quer dizer “o esperado”, o grande governante islâmico que vai botar ordem no mundo e inaugurar uma espécie de Estado mundial islâmico onde reinará a justiça, a ordem etc.

O milenarismo é um fenômeno muito antigo na humanidade. Antes do cristianismo já existia isso no quadro judaico; toda a religião judaica de certo modo é milenarista, só que é um milenarismo específico, há uma promessa milenarista ali para o povo judeu, não tem sentido você extrapolar essa promessa para o mundo inteiro.

Mas acontece que a partir de certa época os elementos milenaristas acabaram entrando dentro do cristianismo. Houve duas fases do milenarismo cristão: a) primeiro do século I ao século IV, depois vem o próprio Agostinho e bota um fim nesse negócio; b) e depois isso reaparece, muitos anos depois, quando a autoridade do papado começa a se decompor, principalmente após a transferência do papado para Avignon. Aquilo lá foi uma verdadeira desgraça, Roma foi invadida e aquilo lá virou um verdadeiro puteiro. A Igreja estava muito desmoralizada e começa a aparecer uma série de movimentos rebeldes de dentro e de fora da Igreja, sem contar pressão do invasor islâmico por fora. Nesse quadro ressurge a esperança milenarista, todo mundo começa a ficar louco por algum motivo, todo mundo tem algum problema e começa a projetar um futuro maravilhoso. Por exemplo, os judeus quando foram expulsos da Espanha imediatamente começam a sonhar um outro mundo maravilhoso, já que está tudo neste mundo e está tudo uma porcaria mesmo, então deve ter um mundo milenarista que vem depois.

A Igreja Católica sempre foi explícita em condenar a especulação milenarista baseada naquele texto que eu citei de Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículo 7, onde Jesus Cristo diz explicitamente “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder”. Ora, medite um pouco: se você não sabe quando a coisa vai acontecer, você não sabe qual o contexto histórico ela vai acontecer, e se você não sabe qual o contexto histórico dela, você não sabe a significação dela, ou seja, você não sabe nada, zero. Então, qualquer especulação a respeito do fim dos tempos está formalmente proibida.”


Olavo de Carvalho – Curso Online de Filosofia: Aula 9, 06/06/2009.

Esta publicação foi feita a partir da transcrição da aula, disponibilizada no site do curso: seminariodefilosofia.org. A transcrição não foi revista ou corrigida pelo Olavo de Carvalho.


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