Todos vocês foram submetidos a um sistema corruptor desde a infância – Olavo de Carvalho

“Quanto à educação intelectual propriamente dita, o que nós estamos fazendo aqui é, evidentemente, uma coisa que não se pode encontrar em nenhuma escola brasileira, porque o que nós queremos é despertar a sua inteligência, mostrar a sua capacidade de compreender a realidade da experiência. Esta é uma experiência que a maior parte das pessoas nunca teve. É incrível! Eu já dei aula para milhares, dezenas de milhares de pessoas e, muitas vezes, eu tive este feedback. As pessoas me diziam: “Ah, então dá para fazer isto?” Mas é claro que dá! O ser humano nasceu para fazer isto. Nós temos esta capacidade.

Ou seja, você vai olhar a situação com os seus próprios olhos e vai entendê-la. E, em geral, você vai entender da mesma maneira que outro sujeito que examinou a situação e a enxergou. E isto não é milagre nenhum, sempre foi assim. A capacidade intelectual mínima, a experiência da capacidade intelectual é algo do qual todos vocês foram privados na escola, desde o primário e até mesmo universidade. É claro que isto tudo configura um crime. Hoje, quando o Estado já está educando as crianças para a prática da pedofilia, isto é, transformando as crianças em clientela de pedófilos e proclamando que a pedofilia consentida não é crime etc. — já existe sentença do STF nesse sentido — é isso que está sendo ensinado na escola. E daqui uns anos, eu aviso a vocês, o uso da palavra pedófilo será proibido. Você não poderá chamar a um pedófilo de pedófilo. Assim como hoje não se pode chamar um abortista de abortista, não será permitido chamar um pedófilo de pedófilo, pois você irá para a cadeia se fizer isso. Isso está sendo programado e será feito.

Já que é nessa sociedade que vocês vão viver, não há nenhuma possibilidade de adquirir uma formação intelectual para se encaixar harmonicamente, pacificamente dentro dessa sociedade, porque ela é incompatível com o exercício da vida intelectual. Vocês estão recebendo aqui um tipo de educação que vai colocá-los em uma situação conflitiva e, evidentemente, vocês não vão entrar neste conflito para perder: vão entrar para se imporem como verdadeiros conhecedores do assunto, como autoridade e mandar aos outros calarem a boca. Esta é a sua função: tentar se transformar em intelectuais sérios e criar um novo modelo de conduta que a sociedade desconhece — e vão ter que impor este modelo. Para impor este novo modelo é necessário que vocês comecem a examinar desde a sua formação emocional de base para ver se ela os qualificou para isso. Porque o normal na situação brasileira de hoje é ser educado para se tornar um pusilânime, um covarde. Isto é a norma.

Outro dia telefona um cidadão para mim — rapaz inteligente, trabalha no Itamaraty, tem um bom emprego — e ele me perguntou assim: “Mas será que não tem outro jeito de a gente combater, um jeito mais pacífico, a gente fazer um acordo, conversar educadamente com estas pessoas”? Eu falei: “Olha, ter até tem, mas eles vão te comer vivo, é o que sempre fazem. Quanto mais educado você é, mais eles sobem em cima”. Daí ele disse: “Não, é que tenho muito medo, sabe?”. “Mas medo do que?”. “Eu tenho medo deles me destruírem”. E eu disse: “O que eles vão fazer com você? Vão matar você?”. “Ah, não”. “Vão bater em você?”. “Não”. “Eles vão tirar seu emprego deixando você morrer de fome?”. “Também não.” “O que vai acontecer?”. “Eles vão me mandar de primeiro secretário de embaixada em Nairóbi”. Eu falei: “Mas este é o perigo que você corre? Poxa, se alguém me mandasse como primeiro secretário de embaixada para Nairóbi, eu seria grato com o sujeito pelo resto da minha vida! Porque em Nairóbi um funcionário de embaixada não tem nada para fazer o dia inteiro. Então você vai estar lá com um belo salário, com uma posição social importante, respeitado pelas autoridades, pelo povo, com carro oficial e sem nada para fazer. E você pode estudar, pode escrever livros.” (…) “Qual é o problema? Por que você está com medo de ser mandado para Nairóbi?” Daí ele disse: “É, pensando bem, não tem problema nenhum.” Pois é, você vê como estava com medo de uma coisa que não pode prejudica-lo de maneira alguma! Só pode beneficia-lo! No fim da conversa ele disse: “Sabe o que é que falta para pessoas da minha geração?” Eu falei: “Não”. E ele: “Falta vergonha na cara”. “Agora você matou a charada!” Vocês foram educados para serem uns boiolas. Todos vocês. E educados para ficar com medo de coisas que não existem. Porque de coisas que existem vocês têm de ter medo. O medo tem de ser proporcional à situação, proporcional à ameaça.

Quando a ameaça não vem da realidade, mas vem do seu imaginário, então não há limite para o medo que você pode ter. Você pode ter medo de respirar. E é assim que se mantém as pessoas sob domínio: espalhando um vago temor não definido e de fato jamais concluindo a ameaça, porque se ela se cumpre, você vai ver que não era ameaça, não é tão grave assim. Por exemplo: por que o pessoal tem medo dessas organizações de esquerda? O que elas podem fazer contra você? O que elas podem fazer contra mim? Elas podem falar mal, mas eu posso falar mal delas também. Elas vão me olhar feio, elas não vão gostar de mim e dizer: “agora eu não gosto mais de você”. E quem quer o amor delas? As pessoas são educadas para se tornarem carentes afetivas e estar sempre esmolando amor e compreensão. Então eu sugiro: qual é o antídoto contra isto? Você faz a lista das pessoas que você gosta e respeita e diz: eu quero que estas pessoas aqui gostem de mim e os outros não.

(…) O exercício da vida intelectual, sobretudo da filosofia, não é compatível com nenhuma espécie de covardia; nem covardia física, nem moral, muito menos covardia intelectual  medo de saber como as coisas são mesmo. Nós vamos ter de rever tudo isto. Nesse sentido, é um problema para mim, porque eu não posso entrar direto numa formação intelectual partindo do princípio de que as pessoas estão emocionalmente e socialmente prontas para aquilo, porque não estão. Todos vocês foram submetidos a um sistema corruptor já desde a infância. A idade máxima dos alunos aqui é trinta e poucos anos, pode ter alguém mais velho, mas a maior parte tem menos de trinta anos. E este processo que eu estou descrevendo para vocês está instaurado no Brasil desde há mais de quarenta anos. Em história se mede uma geração em mais ou menos em trinta anos, portanto já são duas gerações que foram submetidas a isso.”


Olavo de Carvalho – Curso Online de Filosofia: Aula 11, 20/06/2009.

Esta publicação foi feita a partir da transcrição da aula, disponibilizada no site do curso: seminariodefilosofia.org. A transcrição não foi revista ou corrigida pelo Olavo de Carvalho.


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