Nós só devemos expressar nossas opiniões quando tivermos a certeza de que estamos prestando um serviço público e não apenas buscando o reforço do nosso ego – Olavo de Carvalho

“Você vai começar a falar quando não precisar mais do aplauso de ninguém. Nós só devemos expressar nossas opiniões quando tivermos a certeza de que estamos prestando um serviço público, e não apenas buscando o reforço do nosso ego. Tudo aquilo que você faz para buscar o reforço do seu ego só serve para o seu ego – você está trabalhando na esfera subjetiva, portanto, aquilo não tem alcance objetivo, não serve para nada a não ser para reforçar o seu ego.

Uma das condições da busca da verdade é essa objetividade nas ações: saber por que eu estou fazendo alguma coisa e saber distinguir quando eu estou buscando algo para reforçar o ego ou para alcançar um resultado objetivo. Eu quero demonstrar força ou quero ganhar a partida? Essa pergunta é importante. Enquanto você está trabalhando para o seu ego, suas opiniões não funcionam, não pegam, porque os seus ouvintes instintivamente sabem que você não está falando para os benefícios deles, daí não ligam para o que você está falando. Porém, quando você acerta falar as coisas num nível objetivo, muita gente pode ficar brava, mas nada poderão contra você. Se não conseguem intimidá-lo, então não conseguem mais nada.

Um dos objetivos deste curso – talvez o principal – é fortalecer a autoconfiança real baseada na modéstia. A modéstia é não querer mostrar mais nada além daquilo que você realmente já fez. A melhor maneira de autoconhecimento é a auto-narração: contar o que você fez, o seu curriculum vitae – eu fiz isso, mais aquilo e mais aquilo. Chega um dia em que você já fez tanta coisa, que a opinião dos outros sobre você não mais interessa. (…) Mas no começo da vida você não pode fazer isso, porque não tem ainda uma história de realizações que lhe dê firmeza. Por isso eu pretendo que cada um de vocês saia daqui com uma realização efetiva, uma realização intelectual boa, de peso, valiosa, que sirva não só para demonstrar sua força, mas que sirva para algo.

Na universidade brasileira, o pessoal vive exigindo que as pessoas produzam trabalho científico. Mas se o seu trabalho científico não serviu para ajudar a pesquisa dos outros, então não serviu para nada. Se ele só serviu para ser publicado, então é para você mostrar para a sua mãe. Como eu nunca vejo trabalho científico brasileiro nenhum citado em parte alguma, significa que a produção científica brasileira é apenas para reforço do ego. O sujeito diz: “Ah, eu quero provar que sou um cientista.” Está provado, meu filho. Agora que você provou que é cientista, por que você não faz uma investigação científica? Esqueça você e faça. É o grande segredo da vida (o dr. Müller já dizia): você tem de se esquecer. Se esquecer é a hora em que você deixa de ser um problema para você, e isso acontece na hora em que você está com uma problema mais sério na mão. Conquista-se isso através do desejo sincero do conhecimento e através do amor ao próximo, o desejo de fazer um coisa boa – não para a sociedade humana em geral, não para o mundo (“fazer um mundo melhor”), mas para pessoas concretas. Comece pela sua própria família: o que dá para você fazer pela família? Se não dá para fazer nada, porque você não sabe coisa nenhuma, não pode ensinar nada para ela, mas pode trabalhar e dar um dinheiro lá no fim do mês, isso é uma grande coisa! E que isso, em vez de servir de tormento para você, sirva de reforço, porque isso você já está fazendo realmente. Isso é uma realização.”


Olavo de Carvalho – Curso online de filosofia: aula 014, 11/07/2009.


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