O fenômeno da escravidão islâmica na África – Olavo de Carvalho

“Nos últimos vinte anos, o pessoal começou a estudar o fenômeno da escravidão islâmica na África, e hoje se sabe que, primeiro, essa escravidão começou muito antes que a escravidão na Europa (esta tinha sido abolida quando surgiu o fenômeno do servo da gleba). O servo da gleba não era mais um escravo, ele era um proprietário independente. A diferença era que ele não podia vender a sua terra, então a terra ficava eternamente associada à sua família. Quer dizer, o filho a herdava. Então, o antigo escravo adquiria o direito de constituir família. No Império Romano não tinha esse direito. Havia uma procriação coletiva e ninguém sabia quem era o filho e de quem era filho, então não havia bens, propriedades a serem transmitidas. Então quando o sujeito consegue isso, ele não é mais um escravo: ele tem a sua terra, a terra pode ser passada aos seus descendentes, só não pode ser vendida. Chamava-se o servo da gleba por causa disso: a existência dele estava ligada àquele pedaço de terra.

Enquanto isso, os muçulmanos estavam invadindo a África toda e fazendo uma desgraça lá, fizeram um verdadeiro genocídio ali, porque pelo menos 80% dos escravos eram castrados e, na castração, 80% morria. Os escravos castrados eram muito valorizados, custavam mais caro do que os outros, por motivos óbvios: não apresentavam riscos e era uma pessoa mais cordata, mais obediente. Mas para cada dez castrados sobreviviam só dois, então isso aumentava ainda mais o preço. O número das pessoas que eles castravam vai para muitos milhões. Ora, o número de escravos castrados pela escravidão islâmica supera todo o tráfico transatlântico de escravos, que foi de aproximadamente 5 milhões de pessoas. Eles castraram muito mais gente do que isso.

E a escravidão lá começa no século VII e se prolonga até o século XX! Quer dizer, você tem treze séculos de escravidão. E a escravidão europeia durou três séculos. E, além disso, não era propriamente escravidão europeia, porque eles não levavam escravos para a Europa, levavam apenas para as colônias da América. Então isso quer dizer que quando o primeiro português chegou lá e comprou o primeiro escravo, a escravidão islâmica já estava instaurada há muito tempo. E qual era a posição dos negros? Havia negros islamizados já desde o primeiro século da história islâmica. Então estes não estavam entre os escravos, estavam entre os invasores e escravizadores. E eles não pegaram gente só na África, pegaram também na Europa. Pegaram gente na Itália, na Espanha, na Inglaterra… Na Inglaterra, até o século XVIII, XIX, eles ainda aprisionavam gente para levar para escravo, para Meca. Quantos europeus foram levados como escravos? Não foi um ou dois, porque isso aí também durou pelo menos dez séculos. Não fizeram ainda o cálculo. Mas o cálculo do que eles fizeram na África hoje começa a aparecer.

Existe um livro de um autor africano que se chama Tidiane N´Diaye. O livro foi publicado na França com o título Le génocide voilé, que em português seria O Genocídio Velado, o Genocídio Encoberto. Um dos livros mais impressionantes que eu li nos últimos tempos sobre a escravidão muçulmana na África, que é muito maior do que eu mesmo imaginava. E entre os senhores de escravos ali era impossível você descobrir quem era árabe e quem era negro, estava tudo misturado. Então, por que colocar sempre os ocidentais como os grandes escravizadores, e o pessoal do terceiro mundo como os coitadinhos que foram sempre escravizados, quando foram eles os maiores escravizadores? Não só foram escravizadores; esse negócio de castrar pessoas, isso aí no Ocidente nunca existiu. Isso foi um verdadeiro genocídio. Se para cada dez sobravam somente dois, você imagine o número de eunucos que existiam nos países islâmicos e também na China e em outros lugares. Faça o cálculo. Para cada um que está ali tem outros quatro que morreram. É uma coisa absolutamente monstruosa.”


Olavo de Carvalho – Curso Online de Filosofia: Aula 15, 18/07/2009.

Esta publicação foi feita a partir da transcrição da aula, disponibilizada no site do curso: seminariodefilosofia.org. A transcrição não foi revista ou corrigida pelo Olavo de Carvalho.


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