Muito se fala em Astrologia e, no entanto, ignora-se o óbvio: só se pode testar o discurso astrológico se houver meios de verificação não-astrológicos dos mesmos acontecimentos – Olavo de Carvalho

“O problema da Astrocaracterologia era muito simples. Eu acompanhava todo esse debate astrológico e via que todo ele era uma bobajada, porque o que o pessoal chama de Astrologia não tem unidade: não é um fenômeno unívoco, mas milhares de coisas absolutamente heterogêneas. Logo, ter uma opinião a respeito ou não ter nenhuma é a mesma coisa.

Então o que se há de fazer? Nós temos de pegar a documentação da Astrologia desenvolvida, mais ou menos, desde a Idade Média até hoje – há também alguma coisa na Antiguidade (de Ptolomeu e outros) – e ver se conseguimos pegar a unidade do que é isso, ver se há nisso uma estrutura comum. Dentre milhares de coisas diferentes que os astrólogos dizem de mil e uma coisas – e astrólogo fala muito! – vamos ver se conseguimos abstrair o que eles estão falando. Uma vez abstraído isso, então temos algo que se pode chamar de discurso astrológico essencial. Esse discurso pode ser expresso por uma série de afirmativas sobre certos fatos ou situações que devem ocorrer na vida terrestre e humana, quando certos outros fatos estão se passando no céu. Se você obtiver essa estrutura central, você poderá testar cientificamente a coisa; mas não antes disso.

E há que lembrar que muito se fala em Astrologia e, no entanto, ignora-se o óbvio: só se pode testar o discurso astrológico se houver meios de verificação não-astrológicos dos mesmos acontecimentos. E quais são esses critérios? Eles não foram inventados! Foi por isso que eu dediquei um bom tempo para resolver esse problema. Só que cheguei a um ponto em que era preciso de certas pesquisas empíricas sobre uma série de pontos e, na inexistência dessas pesquisas, eu não as podia fazer, sendo um só; precisaria de duas mil pessoas e de muito dinheiro para fazê-las. Então, o que eu fiz? Fiz a montagem teórica do problema, equacionei-o cientificamente de maneira a poder ter solução; mas não dei a solução, pois dependia de investigações que não foram feitas. Então, simplesmente parei. Fiz a investigação até onde eu pude e encerrei o assunto: não falei mais disso porque não dava para fazer mais nada.”


Olavo de Carvalho – Curso online de filosofia: aula 016, 25/07/2009.


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