A verdadeira meditação sobre a virtude não consiste em ouvir a explicação e segui-la, mas consiste em compreendê-la no próprio ato de executá-la – Olavo de Carvalho

“A verdadeira meditação sobre a virtude não consiste em ouvir a explicação e segui-la, mas consiste em compreendê-la no próprio ato de executá-la. Você terá de partir da virtude que você tem efetivamente. Você terá que fazer escolhas dentro de você mesmo, e não ouvir o que o outro disse e fazer o que ele recomendou. Claro que você pode desenvolver inúmeras qualidades por imitação, isto é sempre possível e eu recomendo que se faça isso. Mas você não pode imitar nada se você não tem em você mesmo a raiz daquilo. Então é esta que você tem que procurar. Não se trata de pegar uma receita fora e copiá-la, mas ao ouvir a receita você sabe a que aquilo corresponde em você. Você precisa buscar aquela tendência em você mesmo. Às vezes ela é muito menor e modesta em você do que aquilo que você está ouvindo, mas é o que você tem.

Outra coisa, se nós damos muitos conselhos de virtude para as pessoas elas não vão seguir nenhum. O sujeito fica esmagado sob uma sensação de impotência. Então você tem que pegar uma por uma, devagarzinho, mas não largar. Essa é minha sugestão. Por mais bonzinho que você seja, não há virtude maior do que o próprio amor a Deus. Não há. Qualquer perfeição humana é porcaria perto disso. Aquela abertura, aquele maravilhamento, é como um êxtase mesmo. Isso é que é importante. É mais importante do que as virtudes, porque é isto que vai te dar alguma força. Comparado com isso, suas virtudes e seus defeitos são nada. Isto é a coisa decisiva. Não estou falando no ponto de vista doutrinal, não estou passando aquele negócio de teologia moral. Estou falando apenas do ponto de vista prático-pedagógico. Teologicamente falando, todas as virtudes são obrigatórias e todos os pecados são condenáveis. Mas eu digo: e daí? Mesmo que você seja um santo, você não pode ser todos os santos.

Além disso, existe uma diferença entre o raciocínio filosófico sobre as virtudes e a meditação aprofundada. A meditação aprofundada é encontrar em você a raiz disso; não é simplesmente criar ideias. Eu comecei esta aula dizendo que existe uma diferença muito grande entre você compreender a ideia que você tem sobre alguma coisa e compreender a coisa. Então, o que é a virtude? A virtude é um impulso que você tem e que todos têm, ou seja, coisas boas que você quer fazer. Movido pelo amor a Deus, pelo amor ao próximo, pela piedade que certas coisas lhe inspiram. Por que você não se deixa fazer estas coisas? Por que tem algo que se opõe? É este “que se opõe” que tem de ser tirado. Agora, você não precisa compreender filosoficamente as virtudes ou, muito menos, teologicamente. Então, muito mais importante do que isto é saber onde elas estão em você.”


Olavo de Carvalho – Curso online de filosofia: aula 019, 15/08/2009.


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