O signo tem alguma relação intrínseca com a coisa significada? – Olavo de Carvalho

“O signo tem alguma relação intrínseca com a coisa significada? Platão já dizia que às vezes têm e às vezes não têm. Olha que coisa incrível. Se você partir da arbitrariedade do signo, você nunca vai explicar porque que em quase todas as línguas do mundo o som de m tem alguma coisa a ver com mamãe e o b, p e v tem alguma coisa a ver com o pai. É aparentemente uma coisa inexplicável. Então, por outro lado, têm certas palavras que foram inventadas, são convencionais e que não tem nada a ver uma coisa com outra. Não dá para saber se o signo é arbitrário ou não. Então o que fez Saussure? Determinou por pressuposto que todos os signos são arbitrários e começa a raciocinar a partir daí. Mas este pressuposto está errado. O pressuposto certo é que não sabemos.

Se você não sabe, para que vai fazer de conta que sabe? Só para criar uma estrutura toda e dar um monte de trabalho para muita gente e depois não chegar a absolutamente nada. Começa com Saussure e termina com esse negócio do desconstrucionismo. O desconstrucionismo diz o seguinte: nenhum texto se refere a nada fora dele: o texto é uma unidade fechada que só se refere a si mesmo ou então a outro texto. Se você já disse que o signo é arbitrário, é claro que todo texto tem que ser isto. Por que vocês levaram cem anos para chegar a esta conclusão que já estava dada na premissa? Porque vocês são muito burros. Agora, a premissa é falsa e a conclusão também é falsa. Então, com tudo isto se gasta dinheiro, se cria problema e só faz as pessoas sofrerem.

O fato é que a relação entre linguagem e realidade, ela em si mesma faz parte da realidade e se todos os signos estivessem absolutamente separados da realidade, nós jamais poderíamos conectá-los de maneira alguma. Inclusive tudo o que você escrevesse sobre os signos também estaria separado dos próprios signos. Porque os signos passam a ser tratados como objeto ou realidade. Se não há relação entre signo e realidade, o que eu escrevo sobre o signo também não tem relação com o signo. Precisa ser muito inteligente para perceber isto? Não. Bastam dois minutos.

(…) Os diálogos de O Crátilo são sobre isto aqui. E a conclusão dele é exatamente a que eu estou dizendo. Umas palavras são arbitrárias, mas para que existam as arbitrárias tem de existir outras que não são. Por exemplo, aqui no inglês é impressionante o número de palavras inglesas que são onomatopaicas. É impressionante! E se é onomatopaica, não pode ser arbitrária. Foi baseada numa imitação de uma coisa real.”


Olavo de Carvalho – Curso online de filosofia: aula 019, 15/08/2009.


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