De modo geral e vago, eu entendo alienação como uma recusa da estrutura da realidade – Olavo de Carvalho

“De modo geral e vago, eu entendo alienação como uma recusa da estrutura da realidade, quer dizer, o indivíduo começa a viver num mundo de sua própria invenção. Esse mundo pode ser uma invenção coletiva do seu grupo, formado apenas das convicções ou hábitos que ali vigoram sobre isso ou sobre aquilo. A coisa mais universalmente característica da estrutura da realidade, pouco importando o que é o restante da sua descrição, é que a realidade não é conhecida no seu todo e que esse coeficiente de desconhecimento faz parte da própria estrutura da realidade. Se há coisas que nós desconhecemos não é por causa de um estado provisório da nossa ignorância, a possibilidade de nós termos um conhecimento total simplesmente não existe. Por quê? Porque a nossa vida tem um limite. Somente um ser eterno pode ter conhecimento total. Somente um ser eterno, universal e absoluto pode ter conhecimento total. A limitação do nosso conhecimento é inerente não só à nossa condição, mas à própria estrutura da realidade, porque a nossa condição faz parte da estrutura da realidade. Ademais, se eu não posso conhecer tudo dos objetos isso não é só uma limitação minha, mas é uma limitação deles próprios.

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Pressões alienantes que o ambiente exerce – Olavo de Carvalho

“O jovem de quatorze, quinze anos teme infinitamente mais a opinião dos seus colegas, porque ele sabe que deles depende o seu futuro – é entre as pessoas desta geração que ele vai desenvolver as suas atividades – do que os seus pais. Mais ainda, os pais nunca estão contra ele, os pais só querem defendê-lo no fim das contas. Ele cede toda a sua dignidade, todos os seus valores interiores em troca da aprovação do meio social juvenil que é, frequentemente, cruel e implacável. Por exemplo, esta instituição do trote nas universidades: é uma coisa brutal na qual você tem que provar a sua subserviência ao meio juvenil, que lhe aprova ou desaprova. Você já viu algum pai fazer isso? “Ó, meu filho, pra eu aprovar você pra eu te dar a tua mesada, você precisa consentir que eu raspe o teu cabelo, te pinte de verde, passe alcatrão em você, encha de pena de galinha, te faça de ridículo”. Nenhum pai exige isso, mas os colegas exigem e você, pelo amor desses colegas, faz tudo o que eles quiserem. E veja que isto é uma instituição considerada legítima na nossa sociedade.

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