Os vários círculos de que se compõe o ambiente – Olavo de Carvalho

“Quando falamos em ambiente, então vamos ver os vários círculos de que se compõe o ambiente. Existe o ambiente físico imediato; você nasce e está nele. E há o ambiente social e afetivo-familiar, que faz a sua mediação com o ambiente físico imediato. Ou seja, o ambiente familiar não é determinado pelo ambiente físico. Uma mesma família pode morar em vários lugares diferentes, em diferentes etapas da sua existência. Portanto, você entende que não há relação intrínseca entre o ambiente familiar e o ambiente físico. Pode haver uma associação maior ou menor, mas isso depende do fator empírico; não há uma regra, não há uma lei. Não há um princípio científico, que possa unir uma coisa com a outra, e que permita afirmar: “Em tal ambiente físico só haverá esse tipo de família”. Não, isto não é possível. Por exemplo, você tem aqui a favela do Rio, mas de repente vive lá uma família de chineses, que veio da China com a cabeça completamente diferente das pessoas que vivem na favela. Aí já temos dois ambientes: o ambiente físico imediato e o ambiente familiar. Muito bem, mas a família fala em alguma língua, e a língua não foi inventada por ela. Então, a língua expressa já um ambiente sociocultural em torno. Existe uma relação intrínseca entre o ambiente familiar e o ambiente sociocultural em torno? Não. Porque no mesmo ambiente sociocultural existem muitas famílias diferentes. Mais ainda: existem diferentes heranças socioculturais que cada família pode trazer consigo, como no exemplo do chinês que vai morar na favela. Então, nós vemos que a coisa de certo modo foi se complicando.

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A influência do “ambiente” não é um conceito científico, é uma simples figura de linguagem – Olavo de Carvalho

“A influência do “ambiente” não é um conceito científico, é uma simples figura de linguagem. Ela não está se referindo a nenhum fenômeno preciso. Com ambiente o sujeito está querendo dizer “tudo aquilo que não é eu”. Então é o Ortega y Gasset “Yo soy yo y mi circunstancia”. Até onde vai minha circunstância?

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Pressões alienantes que o ambiente exerce – Olavo de Carvalho

“O jovem de quatorze, quinze anos teme infinitamente mais a opinião dos seus colegas, porque ele sabe que deles depende o seu futuro – é entre as pessoas desta geração que ele vai desenvolver as suas atividades – do que os seus pais. Mais ainda, os pais nunca estão contra ele, os pais só querem defendê-lo no fim das contas. Ele cede toda a sua dignidade, todos os seus valores interiores em troca da aprovação do meio social juvenil que é, frequentemente, cruel e implacável. Por exemplo, esta instituição do trote nas universidades: é uma coisa brutal na qual você tem que provar a sua subserviência ao meio juvenil, que lhe aprova ou desaprova. Você já viu algum pai fazer isso? “Ó, meu filho, pra eu aprovar você pra eu te dar a tua mesada, você precisa consentir que eu raspe o teu cabelo, te pinte de verde, passe alcatrão em você, encha de pena de galinha, te faça de ridículo”. Nenhum pai exige isso, mas os colegas exigem e você, pelo amor desses colegas, faz tudo o que eles quiserem. E veja que isto é uma instituição considerada legítima na nossa sociedade.

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