Aquilo que nós chamamos de percepção sensível nunca existe separadamente, porque toda e qualquer percepção sensível está sendo completada pela imaginação e pela memória – Olavo de Carvalho

“Vamos ver um pouquinho como é que funciona este negócio da imaginação: Tome qualquer percepção sensível que você tenha; por exemplo, agora estou aqui e olho pela janela. Vejo uns carros, uma árvore etc. Tudo o que eu vejo, vejo necessariamente por um lado só, que é o lado de onde eu estou. Eu não estou vendo o outro lado, mas tudo tem outro lado, até uma folha de papel tem outro lado, e a gente nunca vê o outro lado, mas sempre sabe que ele existe. Isto quer dizer que eu só estou percebendo um lado e que o outro eu “invento”, eu “crio” na minha imaginação?

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A percepção passiva é tudo, fora dela só existe o que se chama de atividade mental – Olavo de Carvalho

“Quando eu percebo uma coisa de maneira vaga e difusa, não saio dali. Eu volto, e volto, e volto, e volto, até saber exatamente o que foi que percebi. E deixo para exercer a análise crítica muito tempo depois. É isso o que explico no texto da “Contemplação amorosa” e em outros textos de mesmo teor. A percepção passiva é tudo. Fora dela, só existe o que se chama de atividade mental, a criação mental do ser humano. Mas se a nossa atividade de estudo é voltada não para ideias ou palavras, mas para realidades da vida mesma, é claro que teremos de voltar a essas percepções até que a linguagem adequada para falar delas apareça delas mesmas.

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Na esfera da percepção nós somos capazes de fazer raciocínios indutivos de uma precisão incrível, ao passo que na esfera da representação e do raciocínio construtivo nós cometemos erros uns após os outros – Olavo de Carvalho

“Na passagem do fato aos conceitos e dos conceitos ao raciocínio pode-se introduzir uma multidão de erros. Não são apenas erros de lógica, mas até erros de denominação, de classificação, de categoria, de descrição – porque você tem de descrever primeiramente para si mesmo os dados da situação, dar-lhes nomes, conceitualizá-los e daí criar uma estrutura de raciocínio ativa que lhe permita chegar a uma conclusão. A possibilidade de erro aí é imensa. (…) Os erros todos não vêm da percepção: vêm do pensamento. A percepção também pode errar, mas a possibilidade de erro ali é muito menor. Se houvesse a quantidade de erros de percepção como há erros de pensamento, o trânsito dos automóveis na rua, por exemplo, seria impossível, porque eles bateriam uns nos outros a todo o momento. Quando você vê a infinidade de decisões que um motorista toma no trânsito – todas decisões certas, com uma precisão incrível, e que esse motorista jamais seria capaz de expressar, de dizer, nem mesmo de descrever – e você compara isso com as tolices que as pessoas falam nas discussões, torna-se claro que a primeira função cognitiva é muito mais eficiente e confiável do que a segunda.

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O mundo da percepção real é infinitamente mais rico do que o mundo da razão humana – Olavo de Carvalho

“Na contraposição famosa dos pré-socráticos, Heráclito descreve o mundo da realidade como se fosse um fluxo permanente, onde nada é o que é, tudo está continuamente se transformando em outra coisa. Ele dizia: “Nós não nos banhamos duas vezes no mesmo rio” e assim por diante. Por outro lado, Parmênides descreve o mundo do “ser” como o absoluto e imutável, que está por trás de todas essas mutações aparentes. Quase ao mesmo tempo, Zenão de Heléia desenvolve certos raciocínios que colocam em dúvida a realidade do movimento e da transformação. Ele dizia: “A flecha que se desloca, a cada momento, está apenas no lugar onde está”; ou seja, como é possível dizer que ela se move se existe somente uma sucessão ilimitada de momentos estáticos? Zenão expõe uma série de objeções lógicas à realidade do movimento.

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