Pressões alienantes que o ambiente exerce – Olavo de Carvalho

“O jovem de quatorze, quinze anos teme infinitamente mais a opinião dos seus colegas, porque ele sabe que deles depende o seu futuro – é entre as pessoas desta geração que ele vai desenvolver as suas atividades – do que os seus pais. Mais ainda, os pais nunca estão contra ele, os pais só querem defendê-lo no fim das contas. Ele cede toda a sua dignidade, todos os seus valores interiores em troca da aprovação do meio social juvenil que é, frequentemente, cruel e implacável. Por exemplo, esta instituição do trote nas universidades: é uma coisa brutal na qual você tem que provar a sua subserviência ao meio juvenil, que lhe aprova ou desaprova. Você já viu algum pai fazer isso? “Ó, meu filho, pra eu aprovar você pra eu te dar a tua mesada, você precisa consentir que eu raspe o teu cabelo, te pinte de verde, passe alcatrão em você, encha de pena de galinha, te faça de ridículo”. Nenhum pai exige isso, mas os colegas exigem e você, pelo amor desses colegas, faz tudo o que eles quiserem. E veja que isto é uma instituição considerada legítima na nossa sociedade.

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As pressões que pesam sobre o indivíduo moderno – Olavo de Carvalho

“Dos elementos antagônicos que nos corroem, nos afastam da consciência, nos dispersam — notem bem: dispersam não a nossa concentração intelectual, mas a nossa concentração moral, e nos fazem esquecer o propósito da nossa vida —, nós podemos fazer uma espécie de “galeria de periculosidade”. Tal como as delegacias têm retratos dos bandidos mais procurados e perigosos, também nós podemos aqui botar uma galeria na nossa parede e dizer: os inimigos são esses, esses e esses. Se você ler os clássicos da educação e literatura moral cristã — Santo Agostinho e os Padres da Igreja, por exemplo —, você verá que em geral eles apontam como principal inimigo os seus desejos, especialmente os desejos de riquezas e de prazeres. Porém, muito tempo transcorreu desde a época de Santo Agostinho, muitas coisas mudaram. Há situações hoje, que se impõem ao cidadão de classe média num meio urbano, que são muito diferentes daquelas que se ofereciam a um filho de nobre ou a um estudante, seja na Antiguidade, seja na Idade Média.

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