Na esfera da percepção nós somos capazes de fazer raciocínios indutivos de uma precisão incrível, ao passo que na esfera da representação e do raciocínio construtivo nós cometemos erros uns após os outros – Olavo de Carvalho

“Na passagem do fato aos conceitos e dos conceitos ao raciocínio pode-se introduzir uma multidão de erros. Não são apenas erros de lógica, mas até erros de denominação, de classificação, de categoria, de descrição – porque você tem de descrever primeiramente para si mesmo os dados da situação, dar-lhes nomes, conceitualizá-los e daí criar uma estrutura de raciocínio ativa que lhe permita chegar a uma conclusão. A possibilidade de erro aí é imensa. (…) Os erros todos não vêm da percepção: vêm do pensamento. A percepção também pode errar, mas a possibilidade de erro ali é muito menor. Se houvesse a quantidade de erros de percepção como há erros de pensamento, o trânsito dos automóveis na rua, por exemplo, seria impossível, porque eles bateriam uns nos outros a todo o momento. Quando você vê a infinidade de decisões que um motorista toma no trânsito – todas decisões certas, com uma precisão incrível, e que esse motorista jamais seria capaz de expressar, de dizer, nem mesmo de descrever – e você compara isso com as tolices que as pessoas falam nas discussões, torna-se claro que a primeira função cognitiva é muito mais eficiente e confiável do que a segunda.

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