Você deve permanecer fiel à ordem objetiva ainda que você não a conheça – Olavo de Carvalho

“Que o universo constitui alguma ordem, isto é a coisa mais óbvia do mundo. Há elementos de desordem e de caos — mais tarde, quando estudarmos a metafísica, vocês vão ver por que o elemento de caos e de absurdo tem de estar presente também na ordem total — mas de modo geral há uma ordem objetiva que não depende absolutamente do ser humano, ela já vigorava muito antes [dele existir] e é dentro dessa ordem que ele surge. Ele não precisa compreendê-la, no mais mínimo que seja, para que ela continue vigorando, e a própria capacidade que ele tem de compreender algo dessa ordem faz parte da própria ordem, está previsto na própria ordem. Para você poder continuar exercendo a sua vida intelectual de maneira frutífera, você tem de acreditar realmente que essa ordem existe e não esquecer que ela existe, ainda que ela não tenha nada a ver com o que todo mundo está dizendo a respeito dela. Essa ordem implica a existência da racionalidade humana como um de seus componentes e implica algum diálogo entre a racionalidade humana e a própria ordem, ou seja, o fato de que o homem seja capaz de compreender pelo menos aspectos desta ordem, ou de compreendê-la em termos muito genéricos, faz parte da própria ordem.

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Se o universo é realmente mal, então a base do ser humano pode ser a guerra de todos contra todos, mas se fosse tão mal assim, já teríamos acabado – Olavo de Carvalho

“Tudo que o René Girard escreve existe, mas ele não tem a força explicativa que imagina ter. O fenômeno do desejo mimético, do bode expiatório etc., existem, mas afirmar que eles criaram a civilização é impossível. Você não pode criar todos os valores positivos a partir de um negativo — isso não existe. Por exemplo, eu digo que existe outra força positiva que, assim como Santo Agostinho dizia, é o amor ao próximo, a base da sociedade humana. Ou seja, os fenômenos do desejo mimético e do bode expiatório se dão sobre um fundo determinado pelo amor ao próximo; dão-se como mecanismos parciais que mostram a imperfeição do nosso amor ao próximo. Mas eles por si mesmos serem um mecanismo positivo? É como querer que o rabo abane o cachorro.

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